terça-feira, 11 de março de 2014

“Diante de um estupro, grite. Relaxe e goze, porém, não denuncie e tenha o filho de seu estuprador.” (Marcello Cipullo) AMIGO: Não transmita o legado da miséria humana Palavras duras e realistas do maior escritor brasileiro de todos os tempos; gago, epilético, negro, mal frequentou escola, autodidata, pensador, filósofo, cronista, poeta, contista, fundador da Academia Brasileira de Letras, enfim, referências incontestáveis no tocante à visceralidade da crítica, um mestre imortal da literatura! Ao amigo que desconhece o referido personagem, Joaquim Maria Machado de Assis. Em sua obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, nos últimos parágrafos da história de CUBAS, um cenário impactante é lançado diante de nós em seu leito de morte, uma situação de acerto de contas com a vida por assim dizer, algo que nem ao menos pensamos quando transamos, acasalamos, trepamos ou fazemos amor: filhos. No vulgo popular e no verdadeiro aspecto da palavra, viramos os olhinhos e curtimos o momento dos desejos da carnalidade humana, vem o gozo e a volúpia, a querência e a fornicação. Vejamos a lição deixada pelo escritor: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”- Memórias Póstumas de Brás Cubas. Esta obra escrita há 130 anos, deveria ser guardada e seguida como lei. Evitemos filhos, a proliferação de criaturas humanas a sofrer num Brasil de misérias sem fim. Nada existe neste sentido maior de controle e planejamento familiar, parece nitidamente que a cultura brasileira pública e institucional ainda permanece num passado medieval, onde se enleva o sentido maior de criação regado aos toques do dogmatismo religioso e seja qual ele for à ideologia massificante, tudo é defendido pelos poderes do governo, da religião e principalmente a mídia. Entretanto, num país onde não se controla a taxa populacional e ainda enraizada na falência de suas instituições públicas, onde observamos nas condições precárias dos principais setores da vida em sociedade como no caso de nosso Brasil, a concentração populacional se torna um peso insuportável. Seria otimista ao afirmar que já estamos no caos generalizado e pessimista em reconhecer que jamais sairemos dele. A vida cobra o seu preço diante da doença social da miséria brasileira, e um dos sintomas sociais da doença é a violência. No dia (10/02/2014), verdadeira cena de estupro coletivo foi exibida através da prostituta Rede Globo em seu horário nobre de novela “Em família”. Caso gritante que revela a consciência miserável de um povo acéfalo e castrado de senso crítico de seus telespectadores, ou ingênua coincidência onde em família todos reunidos em suas residências, deixaram de observar a classificação indicativa da novela, onde a mesma não é recomendada para menores de 12 anos. Entretanto, quando o assunto é massificar algo forte e ideológico na cabeça do povo, a exemplo de política, violência, sexo e cenas mais fortes, a classificação sobe para 16 anos. Amigo leitor: Você “Em Família” foi escolhido premeditadamente a aceitar todo o terror que chegou sem pedir licença, ele já faz parte da atração brasileira que é um verdadeiro picadeiro, porém com um detalhe: O palhaço é você. Sim, perfeitamente. O palhaço brasileiro aceita tudo dentro da eterna revolta pacífica presente em seu DNA escravo; “oh, Deus meu...O que se há de fazer?”- pergunta que não tem fim na consciência escrava do brasileiro, eterno sofredor passivo. Parece-me que o Manoel Carlos, autor daquela merda de novela, tem uma predileção sarcástica e mórbida em abordar a violência contra a mulher em seus enredos infelizes e distantes de soluções críticas e racionais; Nota-se aí, o nível intelectual de quem assiste às novelas, um povo que tudo come, aceita e acha bom, mesmo que seja merda. Entretanto, apesar de suas alegadas boas intenções nas entrevistas, o que é colocado em dúvida, principalmente diante da personagem que sofre de forma pacífica a realidade de quem já passou pela situação real de um estupro. Ainda assim, temos que aceitar de forma “cultural” tais mazelas da vida e da violência humana, tornando-se um enorme obstáculo àqueles que lutam incansavelmente nas questões da violência física contra a mulher, estupro e aborto. Pois bem, retornamos à estaca zero e a novela tem este poder de amnésia intelectual na cabeça do povão inculto. O autor Manoel Carlos defende a merda do politicamente correto e na forma da lei, entre a cruz da igreja e a espada do estado, o que na realidade dos fatos oferece um desfecho fundamentalista cristão, subserviente, injusto e longe de uma resposta socialmente responsável. Isto acontece porque, a mulher estuprada de nome NEIDINHA, suportará o estupro e ficará grávida, manterá com todo esforço o feto e comparado ao sacrifício do bendito fruto do ventre acima de tudo. Tempos depois, diante de todo castigo e sofrimento, começará a peregrinação em busca da justiça e reconhecimento do pai estuprador: Maravilhoso desfecho ético e de cidadania, onde suportar é virtude, mesmo que seja estupro! Onde reside o direito da mulher e de sua integridade física e mental? Deve estar na lata do lixo. A bosta da lei brasileira e seu judiciário inoperante, ineficaz e das leis de gavetas, cooperam diante dessa mazela social. Avalie o amigo leitor deste texto, a condição da mulher brasileira diante de um estupro. Embora a lei brasileira garanta o aborto às mulheres que sofreram estupros, tais mulheres encontram inúmeros obstáculos no tocante à efetivação do aborto na rede hospitalar do SUS. Ainda vale contar que a demora do judiciário não acompanha a lei da natureza e a criança acabará nascendo aos nove meses, coisas de Brasil? Não paremos no obstáculo maior que vem dos agentes comunitários ligados à Igreja, onde aos montes aplicam suas teorias de reconforte e incentivo ao nascimento, sempre envolvendo a mulher pobre, ignorante e negra. Viva a vida! Viva Deus! Viva o menino Jesus da pobreza humana! NEIDINHA ainda conta com a pior da violência : O racismo. NEIDINHA é negra, retratada de forma pejorativa no horário nobre da telinha da GLOBO. O contexto é revoltante, degradante. Os filhos da puta da Rede Globo, ao meu entender, quando a novela é recomendada aos 12 anos, o assunto é mais leve, porém, não menos degradante ao povão que assiste. Agora, basta algum entrevero e putaria de sexo em cenas mais picantes, a bosta sobe para 16 anos. Caramba, estupro não é qualquer tipo de violência, penso eu. Acredito que a emissora manipuladora da opinião pública deveria, sem sombra de dúvidas, cuidar das cenas onde a personagem de forma perturbadora poderia ser ouvida de longe pelos gritos, sua expressão facial e todos os gestos que a cena pedia, tudo ali, levou a massa ignorante a pensar sobre o assunto: Pois é, o Brasil é violento, né? Será que a massa de ignorantes ao menos pensou nas complicações dessa violência levada aos milhões e o resultado futuro aos jovens diante da VIOLÊNCIA E PASSIVIDADE? Aposto que não. Ainda apostaria na realidade em afirmar; será que a prostituta Rede Globo pensou nas mulheres vítimas de estupro e dentro do quadro de estresse pós-traumático, lembranças terríveis e de sofrimento emocional? Porra nenhuma, esses filhos da puta só pensam em manipulação dos meios e das massas, e haja ideologia de passividade, paciência, resignação neste povo de ovelhas, rebanho. Sendo o Manoel Carlos contra o aborto, ainda assim, deveria pegar leve. Colocasse lá um padre fazendo o atendimento da negra NEIDINHA, regado de toda compaixão sacerdotal nas orientações costumeiras a preservar o feto em nome de Deus. Foda-se a vontade da mulher e o seu sofrimento, o que na realidade importa é a ideologia salvacionista de preservação: Proliferemos a cada dia mais, mais e mais pobres nesta merda de país, o que dará lucro às igrejas e ao Estado. Na realidade, ao público que assiste as novelas da Globo, diga-se de passagem que é um público de baixa intelectualidade e crítica, tudo pode aceitar dentro da fantasia e romantismo; A criança gerada através do estupro violento, cresce feliz e estudando aulas de violino, dentro de um lar equilibrado e estável. Percebemos aí o “estupro mental” onde hipnotiza e anestesia a mente do povo ignorante, distante dos fatos sociais, da realidade palpável e visível do povo brasileiro, da mulher pobre e estuprada. O mesmo autor retratou em uma de suas novelas “Mulheres apaixonadas”, encenada pela atriz Helena Ranaldi, onde apanhava do marido à raquetadas de tênis. O corre que o povo brasileiro é altamente influenciado pela televisão, é um povo servil e de fácil manipulação. Acresce que aí, nesta personagem, a coisa foi positiva; Houve realmente o aumento de denúncias de agressão contra a mulher. Não podemos de forma alguma negar a influência da novela sobre a audiência e o povo comenta, segue os modismos, os comportamentos, sofre e se influencia diariamente como um ritual a seguir dentro das tramas das novelas, o que é um sinal de evidenciar a própria vida: NOVELA MANIPULA E CONTRALA A VIDA DO BRSILEIRO. Terminando esse texto de retalhos, ainda mantenho o pessimismo categórico; Lamentavelmente, a personagem NEIDINHA “a negra” jamais servirá de exemplo às vítimas de estupro, não revela o verdadeiro quadro social de violência que vivemos, pelo contrário, corremos o risco de perpetuarmos a massa de ignorantes a suportar a violência em nome de uma ideologia de sacrifícios até debaixo de um estupro. O direito ao aborto é uma realidade que deve ser efetivada no Brasil, devemos urgentemente quebrar as amarras da escravidão fundamentalista e religiosa, devemos para de procriar aos milhões de miseráveis. NEIDINHA carrega o enorme fardo nas costas de culpabilidade em denunciar, extrema falta de consciência crítica onde o teor agressivo leva às mulheres brasileiras a não denunciar o estupro, seja por constrangimento ou vergonha. Ainda a pior das opções é retratada por NEIDINHA: Não fazer o uso do direito ao ABORTO garantido por LEI em caso de estupro. Até quando aceitaremos a perpetuação da violência no sofá da sala? O Brasil não é um país sério... (Marcello Cipullo, cdc)

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