quarta-feira, 21 de junho de 2017

PENSAR NO CAOS 08/01/2013 23:58 “A cada dia, nasce dentro de mim o sentimento de revolta, algo que eu tenho que deixar ao meu aluno e com o profundo dever em alertá-lo: A revolução inicia nas mentes, precisamos mudar a consciência do escravo brasileiro, algo que nasce de uma necessidade, na maneira de pensar e que depois se reflete na forma de agir” (Marcello) Veja o link para entender o texto abaixo: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/01/04/morre-menina-baleada-na-noite-de-natal-no-rio-de-janeiro.htm Jamais gostaria de presenciar esta cena e a dor deste Pai. Algo me faz pensar na caoticidade do sistema brasileiro, onde a sociedade não consegue ter um desenvolvimento humano satisfatório e no limite da decência, não temos saída pacífica, precisamos lutar e vamos lutar. Acabei de ler a notícia e logo passei a ouvir a rádio Jovem Pan AM, onde um especialista da Universidade de São Paulo, setor que cuida especificamente da energia e abastecimento, afirma que o não só o atual governo como todos os anteriores, priorizam a divulgação de estatísticas do próprio governo e deixam de lado as soluções: O negócio é convencer os ignorantes. Em resumo, até o setor de abastecimento brasileiro está na U.T.I., tão logo observamos os “apagões” em toda parte do país, o que mereceria desconto considerável nas contas do cliente pagador. Todavia, jamais receberemos tal desconto e será cobrado a taxa normal e o intervalo de tempo dos “apagões” que chegam aos milhões de reais aos cofres das companhias de energias e nos bolsos de alguns políticos. Sabemos que o povo paga caro para receber a luz elétrica, e mais da metade são encargos aos cofres do governo. Dileto amigo, desculpe-me pela franqueza e honestidade, vivemos num país de filhos da puta, uma puta profana, vaca de várias tetas chamada Brasil. A grande vaca Brasil é a maior prostituta da nação e da corja política. Estive confrontando alguns professores certa vez, fato que sou aluno muito indagador e não fico com dúvidas, exijo respostas, enquadro o professor até as últimas consequências, não durmo em 171 furado do professorado, e assim obtive respostas evasivas e capengas como de costume. Diante de questões sobre Educação, a fome, a política e a transparência brasileira neste cenário, o professorado que eu questionei na Universidade Pública, parece sofrer de amnésia intelectual ou conivência, o vulgo “rabo preso” com o governo. É sim, é verdade, acreditem. Todos manifestam os discursos de inclusão social, discursos em respeito às alteridades, direitos do cidadão e da criança brasileira, sempre em afinidade a um Brasil viável do jeito que está caminhando. O absurdo é tão grande nessas respostas oferecidas pelos professores que, certo professor “cabeça branca” e de muitos anos de magistério e diplomações honoráveis, afirmou incondicionalmente que o Brasil será uma França no campo da educação em 2025. Quase sofri um colapso. O professor de sessenta anos aproximadamente, acenou a possibilidade e assim respondi prontamente: “Vamos marcar então, quem sabe o senhor viva até os oitenta e Eu aos mais de cinquenta, uma data em 2025 para confirmar o Brasil à moda francesa.” - Às favas, à merda esse encontro, não sou burro e tampouco trouxa em aceitar uma resposta tão primária: A França está anos-luz do Brasil, a contar da politização e mobilização de seu povo! Senti uma pontada no fígado: A França de Jean Jacques Rousseau, há mais de 300 anos atrás baseava a educação de seu povo de maneira profunda na estrutura social, ou seja, uma transformação em todos os níveis da sociedade, uma revolução armada, algo que iria mudar o poder da economia, da política, da ideologia de um povo! Caramba! - Enquanto as coisas foram conquistas na França e impostas à vontade do povo, o que fez ou faz atualmente o Brasil? Tudo que temos até hoje são Leis outorgadas, feitas por uma classe de prestígio e jamais pelo povo, cacete! porra! Será que o brasileiro não pensa nisso! Estamos na idade média e com roupas modernas, com Ipod,celular, computador, eletrônicos, porém, acéfalos! Jamais seremos uma França, jamais! Voltando ao pai indignado, arrasado, destruído, fodido em todos os sentidos e na possibilidade de perder seu bem maior, sua filha com uma bala alojada na cabeça, não vi nenhuma referência da presidência da merda brasileira em tecer um apoio (que não sejam palavras), não existe nenhum Sírio Libanês ou Albert Einstein para socorrer essa menina? Não tem. Nada tem. Sei lá, não tenho palavras para definir isso que ousamos, digo, ousamos chamar de pátria. Ainda encontramos no hino brasileiro, que esta é Pátria mãe gentil, Pátria amada Brasil... (Marcello Cipullo)
AVALIANDO O MUNDO QUE ESTÁ DIANTE DOS OLHOS: INÍCIO DA REVOLTA 08/01/2013 23:29 “Se eu tenho olhos para ver, preciso aprimorar a visão.” - Avalio que o poder da imagem é algo que possuímos de maneira inata, verdadeira faculdade de ver e sentir a temperatura da situação que passa diante de nós. Nada é mais importante que a imagem. Alguns filósofos diriam que é a força que emitimos através do pensamento e esta, em movimento contrário retorna dentro de nós surgindo a alma, sempre compartilhei desse sentimento e ele não é nada novo. A alma existe porque o cérebro existe, tudo que entendemos através do medo, da fé, da razão, do amor, das sensações, enfim, tudo passa pelo cérebro criador. Ele é senhor, é o nosso DEUS. Devemos reconhecer os extremos de nossos cérebros, voar acima deles e além de suas imagens, confrontar suas contradições, certa sabedoria de ver o lado contraditório dos fatos da vida. Eu diria que este é um caminho de sabedoria e estamos diariamente dentro desse radicalismo: Reconhecer os momentos e as extremidades. Sendo assim, pensamos diariamente nesses extremos do pensamento e da vontade, do desejo. Olhando dentro de si mesmo, iniciamos a revolução humana e solidificamos o indivíduo, depois o grupo, a comunidade, a população e a massa. É um exercício diário, ensinemos nossas crianças e nós mesmos! Ficamos diariamente perdidos na distância, buscando situações e comparações incansáveis à mente e inatingíveis aos domínios do pensamento; neste momento somos senhores do mundo e traçamos os caminhos à humanidade e seus problemas, porém, nem todos podem entender esse enlace poderoso dentro de si, uma potência vital e soberana. Neste momento, aos que nada entendem desse exercício mental que é qualidade de “senhor absoluto”, abandonam o próprio pensamento e recorrem às futilidades cotidianas; o pensador segue incompreendido e solitário em meio à multidão. Vejo isso como profecia da decadência humana e a legião de acéfalos. Escrevo para ferir, e a criança deve ser ferida em suas bases ideológicas de formação, principalmente ela, o futuro da população revolucionária e crítica. Ao adulto doente e que não reconhece a própria acefalia, cabe-lhe a mordaça dos costumes e do medo de se auto-superar, que fiquem calados e observando o progresso das crianças, o desenvolvimento do novo brasileiro, o lutador do futuro o qual tomará o poder. A base dessa educação do novo brasileiro é genética e moral, segundo o grande filósofo Nietzsche: “Os instintos, sob a grande energia repressiva, volvem para dentro: isso é o que se chama interiorização do homem; assim se desenvolve o que mais tarde denominar-se-á alma.”(Vontade de Potência)       Quanto mais nos distanciamos da doença da ignorância e caminhamos à medida de nossos esforços na luta cotidiana, indagando sempre e desconfiando sempre dos discursos enganosos de uma paz fantasiada de democracia, o que é costumeiro ouvir entre os doentes acéfalos em todo o Brasil, assim, progrediremos em essência revolucionária. Acendemos os pontos obscuros em nossa vida particular e no seio familiar, em nosso trabalho, nas escolas, nas universidades e em todo o meio social. É um trabalho e dever de sentir a revolução dentro de si, exerce uma influência moral e concentramos todos os nossos pensamentos e esforços para condensarmos a matéria, dando forma harmoniosa à causa revolucionária, é o que Nietzsche chamava de uma “pedra” atirada ao lago de nossa sabedoria, produzindo ondas e ondas maiores, mudando as pessoas e o mundo. Todavia, a mudança inicial é aquela que chamo de internalizada, onde não buscamos descanso. O descanso é qualidade dos fracos, dos acomodados e do jeitinho brasileiro de ser. Se você quer tranquilidade e repouso da alma, felicidade utópica, seja como a maioria, acredite e simplesmente viva a passar o tempo. Se você quer ser um discípulo da verdade, busque a crítica de valores diariamente! (Marcello Cipullo)
RETALHOS ESCRITOS: A INCULTURA BRASILEIRA A incultura para todos é uma conquista neo-capitalista difícil de contornar. Modo contemporâneo de galgar e manter o poder, leiloando-o entre cúmplices e aliados, a incultura é o eixo do poder político. Fábrica de adesão, ela se compraz em afirmar: somos grandes, pois, massa, povo; trabalhadores, cientistas, intelectuais, artísticas, jornalistas e agentes culturais estão de joelhos diante do despotismo esclarecido, “legitimado pelas urnas”. Amém! (DanielLins) Estava relendo o texto "A ilusão do sufrágio universal" de Mikhail Bakunin, refletindo em minhas comparações sobre o texto de Daniel Lins, reencontrei um cenário muito bem exposto entre os dois pensadores: O VOTO legitimado pelas urnas é a resposta de um plano bem engendrado pela incultura do poder político, o mesmo que propaga a prostituição democrática das instituições políticas no Brasil. Fácil é observar que tudo tem um cheiro de cultura massificada e não conseguimos definir o que somos (este é o plano), arroubos ufanistas de um brasileiro forte e confiante no sistema sob o qual está vivendo. Essa é a mensagem clara, diante de programas e medidas provisórias do governo do povo petista. Desnecessário é dizer que, segundo Daniel Lins, a população brasileira incluindo trabalhadores, cientistas, intelectuais, artistas, jornalistas e agentes culturais estão de joelhos diante do despotismo esclarecido. O poder (PT) conseguiu unir no mesmo "balaio da incultura" seu poder de dissuasão à verdadeira face da cultura, onde o povo enganado legitimou através do VOTO, a própria sepultura. Hoje, por exemplo, não conseguimos entender a postura de um governo (PT) que lutava na contramão do militarismo e historicamente perseguidos (Lula, Dilma, Dirceu e até Genoino), fazer o jogo das mesmas atitudes que vilipendiam o erário do povo. Em termos populares, são complacentes diante da corrupção que arromba os cofres do povo, o que presenciamos diariamente na máquina pública. Na história petista de poder desde (2003-2013), diga-se de passagem um governicho que apenas empurrou a miséria brasileira com a barriga, provamos os desvios de mais de setecentos e vinte e quatro bilhões em apenas oito anos e dez meses. Daí, encontrei no texto de Daniel Lins, a perplexidade diante de um país onde a “incultura” -essa forma de trocar valores e protelar a injustiça no lugar da justiça- como instrumento contemporâneo de galgar e manter o poder. Nota: Se o autor fosse NOSTRADAMUS, mereceria as centúrias de todas as prateleiras e bibliotecas do país, todavia, como o povo ainda permanece doente endêmico e contaminado pela “incultura”, a situação vai perdurar, e o entendimento das palavras do autor ainda está distante do nível e compreensão popular. Mikhail Bakunin (1814-1876) também contempla essa “incultura” nas palavras de “A ilusão do sufrágio universal”, onde os revolucionários, os ditos radicais, não queriam enganar o povo e firmemente embasados em seus ideais do VOTO e da conquista da liberdade frente à aristocracia, puderam derrubar o regime opressor e sublevar as massas populares. Em resumo, é a mesma campanha empregada pelo PT atual, manipulando o povo brasileiro através da “incultura ideológica” do VOTO democrático. Com isso, fica muito difícil reeducar o povo brasileiro dentro de uma consciência realista, ou seja, um fazer entender que está sendo enganado com os discursos de um bem maior ao povo, de um governo surgido de uma eleição popular e que pode representar a verdadeira vontade do povo. Este cenário é impossível no Brasil e o brasileiro deverá aprender através da própria revolução humana interna, mudando sua visão e entendendo que é ele quem faz a mudança e derruba o governo tirano, ou seja, todos os que passaram e o atual. É necessário quebrar as correntes da escravidão intelectual e ideológica, um novo brasileiro forte e crítico, aquele que não se deixa levar pela onda da “incultura”. Um corpo doente manifesta seus sintomas da doença, e assim é o Brasil, um grande corpo que está doente e em fase terminal. O país revela os sintomas mais agudos na FOME, DESEMPREGO, SALÁRIOS, SAÚDE, EDUCAÇÃO, HABITAÇÃO entre outros menores, porém, altamente prejudiciais ao sistema. A causa está lá no início, nos idos de 1500, onde sofremos das intempéries do tempo que arruinou e disseminou a doença da escravidão carregada de sintomas como cepas cancerígenas a deteriorar o corpo do brasileiro e de sua terra. Diante desse cenário, ainda vejo uma única saída, a qual defendo com força e veemência: Em minha perspectiva “a multidão” e somente as massas pobres do Brasil, as mais exploradas e sacrificadas há séculos, seriam capazes de derrubar e levar ao triunfo a Revolução Social do Novo Brasil, principalmente pelo motivo de não estarem corrompidas pela riqueza, pela ganância da alta casta da burguesia do governo. A classe pobre saberá direcionar os seus líderes, saberá treiná-los e escolhê-los com os instintos que residem em seus corpos escravizados, um certo sentimento que somente o pobre sabe separar: O movimento revolucionário do povo, quando verdadeiro, vem debaixo para cima e jamais o contrário. Mudanças emergentes acontecerão. (Marcello Cipullo)
A SIMPLES VIDA DE UM SANTO NÃO ESTÁ NAS IGREJAS E LIVROS Existe dentro de cada um de nós um roteiro de vida que se repete diariamente, algo que nos faz projetar tamanha bondade e altruísmo, um desempenho social no bem da caridade, na propagação da fé, no temor a Deus e no exercício apostólico de divulgar a esperança neste mundo de tribulações, senda carnal de sofrimentos. Existem os seres que vivem como as flores do campo em todo seu esplendor humilde, enquanto outros procuram a exposição da figura tal como os cravos, necessitam ser notadas para que existam. Não façamos aqui a distinção: Todas as flores trabalham e exercem suas funções diante da vida. Podemos observar as pessoas que contribuem amplamente no serviço da caridade, tal como os samaritanos, retificando as carnes do sofrimento ao pé da letra do evangelho; pessoas de nobre coração que cumprem o serviço da ajuda e salvação. Há também aqueles que se dedicam através da palavra acolhedora e se dedicam especialmente à doação da paz, semeando os caminhos da consolação, preocupados com o pecado, tentando apagar os pecados dos outros, purificando a alma, deixando lavar toda vida de máculas com profundo zelo e atenção ao arrependimento salutar. Quem são estes seres? Santos? Já vi estes seres que com a capacidade de absolvição conseguem arrancar da boca dos pecadores a confissão, certo poder inexplicável; seriam as portas dos céus abertas ao perdão? Não sei, apenas presenciei que existem estes seres aqui, neste mundo. Tais seres possuem a característica admirável de exemplo de santidade, meio alvos, puros, leves. Ainda exercitam a capacidade de ouvir, horas a fio, com abnegada coragem, todas as mazelas da vida humana, todas as confissões e culpas. Quem são estes seres? Toda realidade pode ser traduzida no trabalho dessas pessoas especiais, parece que a vida exalta a permanência deles aqui neste mundo, sem esse plano de máxima veneração, onde jamais querem receber por esse caminho do reconhecimento: Eu notei que o verdadeiro SANTO não quer reconhecimento algum, quer viver sem ser notado. Quem realmente nota é o coração da pessoa que recebe a presença deste SANTO, seu olhar de doçura infinita que encerra toda vida de amor ao próximo, ajudando a vida diante da senilidade, a voz que acalma através da grande consolação que edifica o reerguer das pessoas, seria a pureza mais santa da condição humana na terra. Eles existem, simplesmente existem fora dos livros e das religiões... São essencialmente humanos!

terça-feira, 11 de março de 2014

“Diante de um estupro, grite. Relaxe e goze, porém, não denuncie e tenha o filho de seu estuprador.” (Marcello Cipullo) AMIGO: Não transmita o legado da miséria humana Palavras duras e realistas do maior escritor brasileiro de todos os tempos; gago, epilético, negro, mal frequentou escola, autodidata, pensador, filósofo, cronista, poeta, contista, fundador da Academia Brasileira de Letras, enfim, referências incontestáveis no tocante à visceralidade da crítica, um mestre imortal da literatura! Ao amigo que desconhece o referido personagem, Joaquim Maria Machado de Assis. Em sua obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, nos últimos parágrafos da história de CUBAS, um cenário impactante é lançado diante de nós em seu leito de morte, uma situação de acerto de contas com a vida por assim dizer, algo que nem ao menos pensamos quando transamos, acasalamos, trepamos ou fazemos amor: filhos. No vulgo popular e no verdadeiro aspecto da palavra, viramos os olhinhos e curtimos o momento dos desejos da carnalidade humana, vem o gozo e a volúpia, a querência e a fornicação. Vejamos a lição deixada pelo escritor: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”- Memórias Póstumas de Brás Cubas. Esta obra escrita há 130 anos, deveria ser guardada e seguida como lei. Evitemos filhos, a proliferação de criaturas humanas a sofrer num Brasil de misérias sem fim. Nada existe neste sentido maior de controle e planejamento familiar, parece nitidamente que a cultura brasileira pública e institucional ainda permanece num passado medieval, onde se enleva o sentido maior de criação regado aos toques do dogmatismo religioso e seja qual ele for à ideologia massificante, tudo é defendido pelos poderes do governo, da religião e principalmente a mídia. Entretanto, num país onde não se controla a taxa populacional e ainda enraizada na falência de suas instituições públicas, onde observamos nas condições precárias dos principais setores da vida em sociedade como no caso de nosso Brasil, a concentração populacional se torna um peso insuportável. Seria otimista ao afirmar que já estamos no caos generalizado e pessimista em reconhecer que jamais sairemos dele. A vida cobra o seu preço diante da doença social da miséria brasileira, e um dos sintomas sociais da doença é a violência. No dia (10/02/2014), verdadeira cena de estupro coletivo foi exibida através da prostituta Rede Globo em seu horário nobre de novela “Em família”. Caso gritante que revela a consciência miserável de um povo acéfalo e castrado de senso crítico de seus telespectadores, ou ingênua coincidência onde em família todos reunidos em suas residências, deixaram de observar a classificação indicativa da novela, onde a mesma não é recomendada para menores de 12 anos. Entretanto, quando o assunto é massificar algo forte e ideológico na cabeça do povo, a exemplo de política, violência, sexo e cenas mais fortes, a classificação sobe para 16 anos. Amigo leitor: Você “Em Família” foi escolhido premeditadamente a aceitar todo o terror que chegou sem pedir licença, ele já faz parte da atração brasileira que é um verdadeiro picadeiro, porém com um detalhe: O palhaço é você. Sim, perfeitamente. O palhaço brasileiro aceita tudo dentro da eterna revolta pacífica presente em seu DNA escravo; “oh, Deus meu...O que se há de fazer?”- pergunta que não tem fim na consciência escrava do brasileiro, eterno sofredor passivo. Parece-me que o Manoel Carlos, autor daquela merda de novela, tem uma predileção sarcástica e mórbida em abordar a violência contra a mulher em seus enredos infelizes e distantes de soluções críticas e racionais; Nota-se aí, o nível intelectual de quem assiste às novelas, um povo que tudo come, aceita e acha bom, mesmo que seja merda. Entretanto, apesar de suas alegadas boas intenções nas entrevistas, o que é colocado em dúvida, principalmente diante da personagem que sofre de forma pacífica a realidade de quem já passou pela situação real de um estupro. Ainda assim, temos que aceitar de forma “cultural” tais mazelas da vida e da violência humana, tornando-se um enorme obstáculo àqueles que lutam incansavelmente nas questões da violência física contra a mulher, estupro e aborto. Pois bem, retornamos à estaca zero e a novela tem este poder de amnésia intelectual na cabeça do povão inculto. O autor Manoel Carlos defende a merda do politicamente correto e na forma da lei, entre a cruz da igreja e a espada do estado, o que na realidade dos fatos oferece um desfecho fundamentalista cristão, subserviente, injusto e longe de uma resposta socialmente responsável. Isto acontece porque, a mulher estuprada de nome NEIDINHA, suportará o estupro e ficará grávida, manterá com todo esforço o feto e comparado ao sacrifício do bendito fruto do ventre acima de tudo. Tempos depois, diante de todo castigo e sofrimento, começará a peregrinação em busca da justiça e reconhecimento do pai estuprador: Maravilhoso desfecho ético e de cidadania, onde suportar é virtude, mesmo que seja estupro! Onde reside o direito da mulher e de sua integridade física e mental? Deve estar na lata do lixo. A bosta da lei brasileira e seu judiciário inoperante, ineficaz e das leis de gavetas, cooperam diante dessa mazela social. Avalie o amigo leitor deste texto, a condição da mulher brasileira diante de um estupro. Embora a lei brasileira garanta o aborto às mulheres que sofreram estupros, tais mulheres encontram inúmeros obstáculos no tocante à efetivação do aborto na rede hospitalar do SUS. Ainda vale contar que a demora do judiciário não acompanha a lei da natureza e a criança acabará nascendo aos nove meses, coisas de Brasil? Não paremos no obstáculo maior que vem dos agentes comunitários ligados à Igreja, onde aos montes aplicam suas teorias de reconforte e incentivo ao nascimento, sempre envolvendo a mulher pobre, ignorante e negra. Viva a vida! Viva Deus! Viva o menino Jesus da pobreza humana! NEIDINHA ainda conta com a pior da violência : O racismo. NEIDINHA é negra, retratada de forma pejorativa no horário nobre da telinha da GLOBO. O contexto é revoltante, degradante. Os filhos da puta da Rede Globo, ao meu entender, quando a novela é recomendada aos 12 anos, o assunto é mais leve, porém, não menos degradante ao povão que assiste. Agora, basta algum entrevero e putaria de sexo em cenas mais picantes, a bosta sobe para 16 anos. Caramba, estupro não é qualquer tipo de violência, penso eu. Acredito que a emissora manipuladora da opinião pública deveria, sem sombra de dúvidas, cuidar das cenas onde a personagem de forma perturbadora poderia ser ouvida de longe pelos gritos, sua expressão facial e todos os gestos que a cena pedia, tudo ali, levou a massa ignorante a pensar sobre o assunto: Pois é, o Brasil é violento, né? Será que a massa de ignorantes ao menos pensou nas complicações dessa violência levada aos milhões e o resultado futuro aos jovens diante da VIOLÊNCIA E PASSIVIDADE? Aposto que não. Ainda apostaria na realidade em afirmar; será que a prostituta Rede Globo pensou nas mulheres vítimas de estupro e dentro do quadro de estresse pós-traumático, lembranças terríveis e de sofrimento emocional? Porra nenhuma, esses filhos da puta só pensam em manipulação dos meios e das massas, e haja ideologia de passividade, paciência, resignação neste povo de ovelhas, rebanho. Sendo o Manoel Carlos contra o aborto, ainda assim, deveria pegar leve. Colocasse lá um padre fazendo o atendimento da negra NEIDINHA, regado de toda compaixão sacerdotal nas orientações costumeiras a preservar o feto em nome de Deus. Foda-se a vontade da mulher e o seu sofrimento, o que na realidade importa é a ideologia salvacionista de preservação: Proliferemos a cada dia mais, mais e mais pobres nesta merda de país, o que dará lucro às igrejas e ao Estado. Na realidade, ao público que assiste as novelas da Globo, diga-se de passagem que é um público de baixa intelectualidade e crítica, tudo pode aceitar dentro da fantasia e romantismo; A criança gerada através do estupro violento, cresce feliz e estudando aulas de violino, dentro de um lar equilibrado e estável. Percebemos aí o “estupro mental” onde hipnotiza e anestesia a mente do povo ignorante, distante dos fatos sociais, da realidade palpável e visível do povo brasileiro, da mulher pobre e estuprada. O mesmo autor retratou em uma de suas novelas “Mulheres apaixonadas”, encenada pela atriz Helena Ranaldi, onde apanhava do marido à raquetadas de tênis. O corre que o povo brasileiro é altamente influenciado pela televisão, é um povo servil e de fácil manipulação. Acresce que aí, nesta personagem, a coisa foi positiva; Houve realmente o aumento de denúncias de agressão contra a mulher. Não podemos de forma alguma negar a influência da novela sobre a audiência e o povo comenta, segue os modismos, os comportamentos, sofre e se influencia diariamente como um ritual a seguir dentro das tramas das novelas, o que é um sinal de evidenciar a própria vida: NOVELA MANIPULA E CONTRALA A VIDA DO BRSILEIRO. Terminando esse texto de retalhos, ainda mantenho o pessimismo categórico; Lamentavelmente, a personagem NEIDINHA “a negra” jamais servirá de exemplo às vítimas de estupro, não revela o verdadeiro quadro social de violência que vivemos, pelo contrário, corremos o risco de perpetuarmos a massa de ignorantes a suportar a violência em nome de uma ideologia de sacrifícios até debaixo de um estupro. O direito ao aborto é uma realidade que deve ser efetivada no Brasil, devemos urgentemente quebrar as amarras da escravidão fundamentalista e religiosa, devemos para de procriar aos milhões de miseráveis. NEIDINHA carrega o enorme fardo nas costas de culpabilidade em denunciar, extrema falta de consciência crítica onde o teor agressivo leva às mulheres brasileiras a não denunciar o estupro, seja por constrangimento ou vergonha. Ainda a pior das opções é retratada por NEIDINHA: Não fazer o uso do direito ao ABORTO garantido por LEI em caso de estupro. Até quando aceitaremos a perpetuação da violência no sofá da sala? O Brasil não é um país sério... (Marcello Cipullo, cdc)